Amigos tricolores,
Conforme prometido, estou postando uma matéria publicada no Blog do Torero, no último dia 03/03, que comenta a formação do elenco do Guaratinguetá, atual líder do Paulistão.
É ou não é pra encher de vergonha os “profissionais” da WL Sports ?
Ser mediano é meio caminho andado
O Flamengo conseguiu uma bela virada, o Santos está novamente perto do rebaixamento, o São Paulo passou pelo Mirassol e segue perto do G-4, o Sport ganhou o primeiro turno pernambucano, o Inter marcou seis gols, o Remo venceu o arquiinimigo Paysandu, o Palmeiras triunfou no clássico contra o Corinthians, o Real Madrid ganhou com dois gols de Robinho e a Inter de Milão perdeu uma invencibilidade de 25 jogos. Logo, hoje é dia de falar do… Guará.
Sim, do Guará, o líder do campeonato Paulista. E com quatro pontos de vantagem. O rico Palmeiras, o bicampeão paulista Santos, o reformulado Corinthians e o campeão brasileiro São Paulo estão vários pontos atrás.
E o que há de especial no Guará? Nada. Ou quase nada.
Não há, pelo menos, nenhum grande craque repatriado, nenhum jovem talento que está sendo sondado pelo Manchester, nenhum técnico badalado.
Mas é um time bem armado. Um daqueles times “certinhos” que às vezes aparecem pelo Brasil, principalmente no Campeonato Paulista.
O Guará é um time que ataca com afã, que sabe jogar atrás quando é necessário, que explora bem os contra-ataques, que tem volantes pegadores, zagueiros firmes, um eficiente cobrador de faltas, bom preparo físico, etc…
E, com estas qualidades comuns, vai deixando todos para trás.
O seu técnico é Guilherme Macuglia, que fez a maior parte da carreira em times médios do sul do país.
E dificilmente você terá ouvido falar de um de seus jogadores:
O goleirão Fábio, por exemplo, de 29 anos e dois metros, já andou por São José, Osasco, Inter de Limeira, Mogi Mirim, Goiás e Marítimo de Portugal. Você já o viu numa foto de capa de um Caderno de Esportes? Nem eu.
Nelsinho, o lateral-direito, já tem 32 anos e passou a carreira em clubes modestos como Portuguesa Santista, Grêmio Maringá e Santo André.
Carlinhos, o zagueiro central de 33 anos, é um cigano bem rodado: Guarani, Juventus, Juventude (RS), o desconhecido Waldhof Mannhein da Alemanha, Figueirense, Bahia e Santa Cruz.
O volante Alê, 29, jogou no Penapolense, no Guapira (SP), no Flamengo (o de Guarulhos, não o do Rio), no Roma (do Paraná, não da Itália), no Osasco, no Juventus, nos XVs de Jaú e de Piracicaba, no São Bento, etc…
Magal (que não é o Sidnei), já vestiu as camisas de Taquaritinga, Sertãozinho, Portuguesa Santista, Juventude (RS), São Bento e América (RN).
Jackson (que não é o Michael) tem em seu currículo: Brasil de Pelotas, Mogi Mirim e CRAC (GO).
O meia Michael (que não é Jackson mas é Jefferson), artilheiro da equipe, está com 26 anos e passou por Barueri, Avaí (SC), Fortaleza, CRAC (GO) e Ponte Preta.
O craque da equipe, Nenê, que aos 33 anos já não é um nenê, marcou dois gols de falta nos dois últimos jogos, vencidos por 1 a 0. Ele já passou por (prepare o fôlego): Santo André, Ituano, Will (Suíça), Marília, São Bento, Remo, Ceará, Atlético de Sorocaba, Figueirense, Ceilândia, Paulista e São Raimundo.
Provavelmente você não ouviu falar da maioria destes jogadores. Talvez, de um ou dois. Não é impossível que de nenhum.
A grande esperteza do Guará foi saber encontrar estes bons atletas que estavam espalhados por aí, fazer uma organização tática simples e eficiente, e dar conjunto ao time.
A liderança do Guará é a prova de que hoje em dia, no futebol brasileiro, não é preciso ser brilhante ou milionário, mas ter entrosamento e 11 jogadores dispostos a suar.
Para se destacar em meio à mediocridade, ser mediano é meio caminho andado.
Por Fernando Mattos - 15:24